Terminou nesta segunda-feira (3) a greve dos ônibus intermunicipais da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Após três dias de paralisação parcial dos transportes públicos, os rodoviários fizeram um acordo com os empregadores e decidiram pelo fim da mobilização da categoria.

Os funcionários aceitaram a proposta de reajuste salarial de 6%, referente ao dissídio de 2023. O aumento vai ser pago em duas parcelas, metade retroativo a junho e o restante na folha de agosto.

Desde o dia 29 de junho, funcionários das empresas de transporte Soul, Transcal, Sogil, Consórcio de Transportes Nova Santa Rita e Empresa de Transporte Coletivo Viamão paralisaram parcialmente as atividades.

Funcionários ligados ao Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários Intermunicipais de Turismo e de Fretamento da Região Metropolitana (SindiMetropolitano) operaram com apenas 50% da frota nos dias de greve.

AlvoradaCachoeirinhaCanoasGlorinhaGravataí, Nova Santa Rita e Viamão foram as cidades afetadas pela paralisação.

Além da negociação, também nesta terça-feira (3) foi anunciado o pagamento de subsídio de R$ 42 milhões às empresas do transporte metropolitano pelo governo do estado. O valor será dividido em quatro parcelas. A primeira delas já foi paga pela Secretaria da Fazenda.

Histórico da notícia:

PARALISAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO INTERMUNICIPAL

Ação afeta parte dos coletivos de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Glorinha, Gravataí, Nova Santa Rita e Viamão. Por determinação da Justiça, a operação deve funcionar com 50% dos ônibus nos horários de pico (das 5h30min às 9h e das 16h30min às 19h) e 30% no restante do dia. O sindicato alegou que irá cumprir a medida.

Conforme o comunicado do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários Intermunicipais de Turismo e de Fretamento da Região Metropolitana (Sindimetropolitano), serão afetados os usuários das linhas urbanas que circulam entre as cidades das empresas Soul, Sogil, Transcal, Consórcio de Transportes Nova Santa Rita e Empresa de Transportes Coletivos Viamão.

Ainda segundo a direção do Sindimetropolitano, o motivo da greve é a falta de acordo sobre o índice da reposição salarial. A categoria também não aceita as propostas da entidade patronal que a taxa de ajuste seja condicionada a possível aumento de tarifa, já que o novo valor da passagem não tem data definida e ainda está aguardando estudos do governo do Estado.

— A gente não está conseguindo negociar, porque o patrão ofereceu menos que a inflação e parcelado, vinculado ao aumento da tarifa. Isso a gente não pode aceitar, porque não sabe quando vai ser o aumento da tarifa — disse o presidente do Sindimetropolitano, Mauro Cesar da Silva Santos.

De acordo com Willson Gonçalves de Oliveira Neto, advogado da categoria, a empresa conseguiu chegar em 6%, que era o pretendido, mas, segundo ele, a empresa quer pagar de forma condicionada: 3% quando receberem o repasse da tarifa do governo do Estado de junho de 2022, mais 3% quando tiverem o repasse de junho de 2023, que eles alegam que tem uma defasagem. 

— A categoria não aceitou. Eles querem saber quando eles terão o reajuste.  A proposta do sindicato na reunião de mediação (quarta-feira) foi que eles deem 3% agora e 3% no máximo em 90 dias. As empresas não aceitaram. Em razão disso, a categoria deflagrou a greve. Ficou marcada uma outra mediação para o dia 6 de julho com o desembargador que avalia a greve para ver em que pé estamos.  

O advogado reforçou que a paralisação segue por prazo indeterminado:

— A greve só pode ser finalizada quando nós tivermos uma proposta para levar para assembleia.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur) por meio da Metroplan informou que está buscando resolver o impasse entre funcionários e as empresas, incluindo um valor razoável da tarifa. Segundo a Metroplan, ainda restam R$ 42,8 milhões a serem repassados às empresas do sistema de transporte coletivo metropolitano. O aporte está represado devido a uma ação judicial.

O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários no Estado do Rio Grande do Sul (Setergs) divulgou nota em que classifica a proposta apresentada — de 3% em agosto e mais 6% quando houver reajuste da tarifa — é "o que a realidade permite fazer, diante da situação vivida pelo serviço público de transporte metropolitano de passageiros". "A defasagem tarifária já atinge aproximadamente 34%", argumenta a entidade, no comunicado.

Devido a paralisação convocada pelo SindiMetropolitano - Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários Intermunicipais de Turismo e de Fretamento da Região Metropolitana - os coletivos da empresa STI estão circulando em Nova Santa Rita, nesta quinta-feira (29), mas com horários reduzidos. As informações foram confirmadas pela empresa.

Os(as) usuários(as) do sistema de transporte coletivo intermunicipal de outros municípios da Região Metropolitana também serão afetados(as) com a medida. A ação foi deliberada pela categoria rodoviária.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur), disse que lamenta a greve e assegurou estar “fazendo todo o esforço possível para auxiliar na superação do impasse entre trabalhadores e empregadores”, para que o sistema de transporte público metropolitano volte a operar a pleno.

PREFEITURA DE NOVA SANTA RITA SE REUNIU COM PROMOTORES DO MEDIAR E PEDE MELHORIAS PARA O TRANSPORTE PÚBLICO

Audiência ocorreu em Porto Alegre, com a presença da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Estado

Um encontro para tratar de melhorias no transporte público intermunicipal de Nova Santa Rita. Esse foi o objetivo da reunião com a promotora de Justiça, Ivana Kist Huppes e o promotor Paulo Valério, do Programa Mediar do Ministério Público; junto com a promotora de Canoas, Débora Cardoso e a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Estado, com a presença do titular da pasta, Carlos Rafael Mallmann, nesta terça-feira, em Porto Alegre.

De Nova Santa Rita, além do prefeito Rodrigo Battistella, participaram o secretário de Serviços Públicos, Everton Medeiros; o diretor de Transportes Marcos Krupinski, e o procurador-geral Jorge Mentz.

“Queremos uma medida resolutiva no que tange o sistema de transporte coletivo intermunicipal, com o intuito de buscar alternativas para otimizar a operabilidade e viabilidade econômica e financeira dos sistema e, consequentemente, a satisfação da nossa comunidade”, pontua. “Foi um encontro proveitoso, um diálogo aberto e sincero. A intermediação do MP é fundamental para que consigamos chegar a melhor solução para nossa comunidade.”