A distopia é fruto de decepções e a busca de um "porto seguro" em um mundo consciente de sua insegurança.

A primeira busca da superação da distopia é a retrototopia, ou seja, a busca de um passado seletivo e protegido de todas as suas mazelas como o "porto seguro".

Essa busca é verdadeira ilusão, porque ela pinça somente aquilo que foi bom e desconhece todas as suas mazelas da época, por um trauma ou por desejo de ver somente a "parte boa da época".

A utopia é a esperança em dias melhores a começar dos pequenos sinais do presente.

Ela é muito mais um desejo do que a realização de fato e na totalidade daquilo que se apresenta.

Contudo, a utopia emana um sonho de um mundo melhor para todos e abre o indivíduo a fazer a sua parte contemplando a pluraridade e a diversidade dos demais atores sociais, ecológicos, capitalistas etc.

George Orwel escreveu "1984" como o parâmetro da distopia.

Nesse livro, um oficial que arriscou a sua vida pela pátria e pelos companheiros se vê traído e abandonado.

Ele percebe que sua utopia era pura ilusão e que o mundo e as pessoas são farsantes e gananciosos.

O grande perigo da distopia é construir relações humanas, comerciais, ecológicas por profunda vontade de tirar do outro o que ele tem de melhor para si.

Jean Paul Sartre dizia que "o inferno são os outros".

Hobbes dizia que "o homem é o lobo do homem".

Vive-se "a guerra de todos contra todos".

Amos Oz ao escrever sobre o fanático, ele desnuda que este indivíduo profundamente ideologizado e instrumentalizado faz o mal acreditando que está fazendo o bem.

Todos esses autores evidenciam o "outro" como adversário e até como alvo de seus arsenais teóricos e armamentistas.

A saída não é colocar o "outro" como alvo de seus arsenais e muito menos explora-lo.

A saída é a capacidade de captar e colocar ao bem de todos o que cada indivíduo e grupo social e etnico pode contribuir para um mundo melhor e mais humano.

Essa utopia quebra a distopia que nos invade e dá como saída a exploração do outro como meta.

Dessa maneira, o mundo plural e diversificado precisa aprender a viver e conviver com a sua multifacialidade por meio do diálogo, da política, da conversa, das convergencias pontuais e temporárias.

SÉRGIO DE SOUZA NERES

sergiocssn@yahoo.com.br

GOIÂNIA - GOIÁS

08/06/2021