Retorno da segurança privada nas escolas é a tônica da sessão da Câmara de Vereadores
Presença de familiares de alunos que pressionam pela retomada da segurança

Por Marcelo Ricardo Fiori
01/04/2026 16h50

Momentos de ânimos acirrados marcaram a sessão ordinária de terça, dia 31/03/26, devido à presença de famílias de alunos da rede municipal de ensino, que pressionam o Executivo e o Legislativo pela retomada da segurança privada nas escolas — serviço descontinuado no fim de 2025 devido a problemas contratuais com prestadores do serviço, como não pagamento de salários.

Ao abrir a sessão, a presidente da Casa do Povo, vereadora Fátima Tenedini Coelho, ressaltou que escolas seguras é preocupação de todos os vereadores, razão pela qual haverá audiência pública do Legislativo na próxima segunda, 6 de abril, às 19h, para escutar os pais e aprofundar o debate.
 
A presidente também explicou que, segundo o Regimento Interno, o público não pode interromper os vereadores quando esses ocupam a Tribuna. Foi por isso que precisou pedir apoio à Brigada Militar no instante em que Cléo do Liberdade discursava. Fátima suspendeu a reunião por quase 20 minutos a fim de que os ânimos se acalmassem. Os trabalhos foram retomados a partir da presença de dois policiais militares.
 
Em plenário, Zé Toquinho (PL) pontuou que os legisladores são “grandes parceiros” dessa causa e citou que diretoras e professoras vêm amenizando a ausência dos guardas privados até que novos secretários escolares sejam contratados e passem a atuar no controle dos acessos às instituições. “O processo seletivo dos secretários já está aberto. O governo está agindo”.
 
Leco (MDB) enfatizou que a presença dos pais na Câmara não é um ato político-partidário, mas sim luta legítima de proteção aos seus filhos, porque o sentimento deles é de preocupação e desamparo desde o início do ano letivo, em 18 de fevereiro. “Segurança nas escolas é um tema de prioridade absoluta. Não é exagero, nem histeria, nem assunto secundário. Ouvir os pais é uma obrigação dos gestores”.
 
Vilson Borba (PDT) participou ontem da primeira reunião do Fórum Municipal de Educação, cujo propósito é projetar as políticas públicas escolares pelos próximos 10 anos, portanto ocasião bem oportuna para debater inclusive a segurança. “Me preocupo sim que as crianças não fiquem sem acolhimento. O modelo não sei dizer, mas sem segurança as escolas não podem ficar”.

Audiência pública terá participação de comandante da Brigada

Tássilo Weber
 (PDT) lembrou que dia 6 de abril a Câmara realizará audiência pública para discutir a pauta, inclusive com especialistas, como o comandante do 25º BPM da Brigada Militar, tenente-coronel Luciano Porto. Além disso, ele recordou que em agosto do ano passado apresentou requerimento para o Poder Executivo instalar sistema de reconhecimento facial nos colégios — projeto já iniciado, mas que não exclui a importância de medidas afins.
 
Joice Dillenburg (PDT) reconhece a importância da Patrulha Escolar da Brigada, mas o efetivo de Portão não basta para um município de 160 km² de área, com mais de 20 unidades de ensino. Na visão dela, delegar a segurança aos secretários escolares é um equívoco, porque essa categoria já está sobrecarregada. É por isso que ela, ao lado de Leco e Dioni, propõe ao Executivo a criação de cargos de agente de segurança escolar, cujos provimentos ocorreriam com o próximo concurso da Prefeitura.
 
Dioni Bandeira (Progressitas) enfatizou que o poder público precisa garantir tranquilidade para os pais que matriculam seus filhos nas municipais, assim como para os profissionais que trabalham na rede. Na visão dele, porém, a função de segurança precisa ser exercida por um servidor especializado nessa área, e não por secretários. Todas essas questões, salientou Dioni, serão pautadas na audiência pública da próxima segunda, dia 6, às 19h.
 
Elias Trein (PT) foi enfático ao afirmar que o problema tem, sim, solução. No entanto, segundo ele, o prefeito Kiko Hoff (PDT) necessita dar mais ouvidos aos vereadores. Pai de aluno da Visconde de Mauá, o legislador contou que o filho chegou da aula e, em tom de lamento, disse que a escola ainda não tem segurança e, além disso, o ar-condicionado de sua sala está sem funcionar há dias. “Diante disso, não podemos falar que Portão está em outro patamar”.
 
Movimento precisa ser organizado e respeitoso

Cléo do Liberdade (PDT) apontou que o movimento das famílias é, sim, legítimo, mas se deu de forma inapropriada, o que colocaria em risco o êxito. A luta, afirmou o parlamentar, precisa ser organizada e baseada em diálogo, sem atitudes desrespeitosas e debochadas. Apesar das farpas trocadas com algumas pessoas que assistiam à sessão, Cléo reafirmou que seu mandato está a favor de mais segurança nos ambientes de ensino.
 
Pai de aluno da Escola Antônio José de Fraga, Roberto Leitão (PDT), declarou que houve uma “melhora gigantesca” depois que a Prefeitura contratou segurança privada. “Ah, mas era um veínho dormindo... não sei, nas no Fraga funcionou muito bem. A frente da escola era tomada de adolescentes arrumando briga. Meu filho tinha medo de entrar e sair. Como pai, me sinto tenso”, confessou ele, lembrando que em Portão mesmo há empresas capazes de instalar tecnologias como reconhecimento facial e botão antipânico. “Claro que Portão está melhorando, mas a segurança das crianças não pode esperar”.

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