Partenon Literário completou 153 anos de existência
É a mais antiga entidade literária do Rio Grande do Sul
No dia 18 de junho de 2021, os membros da Sociedade Partenon Literário, comemoraram os 153 anos de fundação da entidade. Fundada em junho de 1868 por um grupo de intelectuais em Porto Alegre, o Partenon antecede a fundação da Academia Brasileira de Letras. Reuniu lideranças da província de São Pedro da época pós revolução Farroupilha e pós Guerra do Paraguai. Seus membros eram revolucionários para aquele momento da vida brasileira, assumiam a bandeira da abolição de escravos e muitos se proclamavam republicanos num país monárquico governado pelo imperador Dom Pedro II. Mas longe da Corte e no extremo sul do país, os primeiros integrantes do Partenon eram a vanguarda cultural da época.
Para homenagear esta entidade histórica, a editoria de Cutura do Jornal Estação parabeniza todos os integrantes desta entidade que ainda hoje levam a bandeira da literatura independente do Rio Grande do Sul. E para marcar este aniversário de 153 anos, apresentamos aqui a história do Partenon e seus ilustres fundadores e integrantes.
"A Sociedade Parthenon Litterario, mais conhecida simplesmente como Parthenon Litterario, foi uma associação literária brasileira criada em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul, considerada a principal agremiação cultural do estado no século XIX.
Surgindo em um período em que as letras estavam em estado embrionário e a população era maciçamente analfabeta, foi a entidade que efetivamente formou e consolidou o sistema literário regional, fundando uma conceituada revista mensal, estimulando a prática da leitura e da criação literária, promovendo a educação do povo com aulas e outras atividades, e organizando saraus e conferências regulares sobre assuntos literários e filosóficos e uma variedade de outros temas relevantes para aquele momento histórico, como a moralização dos costumes, o modelo político nacional, o sistema educativo, a definição da identidade regional, a abolição da escravatura e a emancipação da mulher. Foi um agente principal para a libertação de todos os escravos de Porto Alegre e influiu de forma importante na política e na divulgação do ideal republicano.
Fundado em 1868 por um grupo de cerca de vinte interessados, o Parthenon Litterario chegou a ter mais de 140 membros efetivos e uma rede de colaboradores com mais de 300 pessoas, reunindo boa parte da elite intelectual do estado, tendo como líderes José Antônio do Vale Caldre e Fião e sobretudo Apolinário Porto-Alegre. Entre os grandes nomes da literatura gaúcha e brasileira revelados pelo Partenon consta o da escritora Luciana de Abreu.
Levantando a bandeira da regeneração da sociedade através da educação e da literatura, traçando planos ambiciosos, foi louvado em sua época como fonte de importantes avanços culturais e sociais, mas algumas das suas iniciativas fracassaram e a maior parte da sua produção especificamente literária só guarda um interesse histórico, sendo valorizado hoje principalmente pelo seu papel de dinamizador cultural e estruturador do sistema literário, e por ter lançado os fundamentos de uma literatura de caráter regionalista, enaltecendo a figura do gaúcho, o folclore, a história do estado e o cenário campeiro, dentro de uma moldura romântica.
O projeto cultural do Parthenon agregou toda uma geração de novos talentos, formou um novo público leitor, suscitou o surgimento de bibliotecas, escolas, associações e publicações literárias em muitas cidades do estado, e as atividades da sociedade oferecem o mais completo retrato da intelectualidade sul riograndense do fim do século XIX.
Cessou suas atividades em torno de 1888 e foi reativado em 1892, funcionando precariamente por mais uns poucos anos. Foi extinto oficialmente em 1899, deixando uma permanente marca na cultura riograndense e sendo objeto de muitos estudos críticos, mas sua história e contribuição ainda têm aspectos mal conhecidos ou pouco aprofundados.
Em 1997, admiradores do legado da entidade a refundaram com a grafia atualizada de Sociedade Partenon Literário, retomando a prática de sessões regulares, promovendo atividades diversificadas e lançando várias publicações.
Depois de 98 anos desativado durante quase todo o século XX, a Sociedade Partenon Literário reiniciou as suas atividades em 10 de julho de 1997, a partir de um grupo de intelectuais interessados em prosseguir com os postulados dos próceres de 1868, contando com o incentivo de Serafim de Lima Filho, Cláudio Pinto de Sá e Frei Aquylles Chiapin.
A luta por uma sede própria continuou, sendo que recentemente mantinha um escritório administrativo na rua Plácido de Castro, junto ao Instituto Cultural Português. As reuniões ocorriam mensalmente na Assembleia Legislativa, com saraus poéticos e musicais. Também realizou-se saraus no Centro Cultural Érico Veríssimo-CEEE, Casa de Cultura Mário Quintana e Museu Memorial do RS na praça da Alfândega.
Juridicamente, no entanto, apesar de dizer-se que a sociedade reiniciou as suas atividades em 1997, o que houve, na verdade, foi uma refundação. Assim como os sócios antigos, os atuais não estão presos ou subordinados a qualquer tipo fechado de literatura ou expressão artística. Entre eles, incluem-se juristas, poetas, prosadores, artistas plásticos, jornalistas, músicos e atores.
Em 2016 tinha 195 sócios. Eram programadas palestras, conversas informais, saraus, seminários e exposições, além de manter uma série de publicações. O novo Partenon mantém uma ligação forte com a antiga entidade, mas não é exclusivamente memorialista e estabeleceu um compromisso com o presente e o futuro.
Segundo o presidente Benedito Saldanha, que faleceu em julho de 2020 no meio da pandemia do novo coronvírus, vítima das complicações causadas pelo vírus do Covid-19, "a grande causa do Partenon de hoje é mesmo o incentivo à leitura e a formação de leitores".
A entidade já lançou várias coleções, além da tradicional Revista do Partenon Literário, agora em formato de livro. São elas:
- Coletânea do Partenon Literário, com edições comemorativas;
- Coleção Autores Reunidos, antologia para sócios e não-sócios, destinada a valorizar talentos emergentes;
- Coleção Prata da Casa, reunindo obras de grande envergadura de sócios;
- Coleção Nossas Letras, antologia destinada aos sócios;
- Coleção Letras Jurídicas;
- Coleção Palestras do Partenon;
- Coleção Arquivo e História, antologias institucionais para registro das ações e dos atos de cada gestão;
- Coleção Edição Especial, cobrindo produções criadas para efemérides;
- Coletânea anual Vozes do Partenon;
- Coletânea de prosa e poesia Escritos.
Em 2005 o Partenon Literário foi declarado de utilidade pública pela Câmara Municipal de Porto Alegre, e em 2008 o Governo do Estado promulgou lei declarando-o Patrimônio Histórico e Cultural do Estado.
Em 2010 a Câmara de Porto Alegre concedeu-lhe o Diploma Honra ao Mérito, homenageando seu papel como instituição pioneira da literatura gaúcha e marco da formação cultural do estado.
Em 2016, por iniciativa do Círculo de Pesquisas Literárias e com o apoio da Coordenação da Memória Cultural da Prefeitura de Porto Alegre, foi instalada na Praça da Matriz uma réplica da placa comemorativa do centenário da fundação.
Em 2018, nas comemorações do seus 150 anos de fundação, recebeu homenagem do Plenário do Senado Federal."
Atualmente os membros do Partenon Literário aguardam o fim da pandemia do coronavírus para voltarem às reuniões que definirão nova diretoria e novo presidente que sucederá o escritor e pesquisador Benedito Saldanha, falecido precocemente no ano passado. As reuniões atuais se dão atraves da internet, pelas redes sociais, que mantém vivo o espírito dos membros do Partenon, de viver e amar a literatura.
* Pesquisa na Wikipédia.
