Neste ano de 2021 o escritor e jornalista Vladimir Cunha dos Santos, colaborador do site do Jornal Estação, secretário executivo da Adjori-RS e diretor do jornal Folha Rosariense, completa seus 40 anos de literatura. É uma história literária que começou em 1981 com a publicação do seu livro Azambuja Cruz de Pedra e se desenvolve até os dias de hoje. 

Para comemorar este marco na carreira e vida do escritor, nossa editoria cultural publica agora a  biografia deste artista das letras.

Vladimir Cunha Santos, conhecido como poeta Wlady, nasceu em 1964 em Rosário do Sul, cidade na fronteira-oeste do Rio Grande do Sul, próximo da fronteira entre Brasil, Uruguai e Argentina. Atualmente mora em Porto Alegre, onde escreve, edita livros, jornais e estuda Ciências Sociais na UFRGS.

Morou nas cidades de Rosário do Sul, Pelotas, São Gabriel, Porto Alegre (RS), Lisboa (Portugal), Havana (Cuba) e Porto Seguro (Bahia). Viajou pra conhecer e fazer pesquisas nas cidades de Buenos Aires, Passo de los Libres (Argentina), Montevideo, Colônia del Sacramento, Rivera (Uruguai), Lima (Peru), Paris (França), norte de Portugal e da Espanha, sul da França, Ilhéus (Bahia) e várias capitais de estados brasieiros (Florianópois, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília), onde manteve contato com a população e as culturas destes locais.

Na sua trajetória profissional começou como repórter, editor, colunista e publicitário em jornais do interior do RS, passando por Correio de Rosário, O Imparcial de São Gabriel, A Plateia de Santana do Livramento, tendo sido fundador e diretor dos jornais Gazeta de Rosário, Folha Rosariense, Folha de Cacequi, Folha de São Vicente, Gazeta Gabrielense e Notisul Regional. Foi presidente da Associação de Jovens Empresários, da Associação Comercial e Industrial e Secretário Municipal da Indústria e Comercio de Rosário do Sul. Também trabalhou como chefe da sucursal do Jornal do Sol de Porto Seguro nos distritos de Arraial da Ajuda e Trancoso, quando morou no sul da Bahia em 2017 e 2018. Atualmente trabalha como secretário executivo e assessor de imprensa da Adjori-RS, a Associação dos Jornais do Interior do RGS, e no site do Jornal Estação de Capela de Santana.

Na sua formação acadêmica Vladimir estudou Letras na Universidade do Vale dos Sinos –Unisinos-  e é graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do RGS -UFRGS- com licenciatura em Sociologia. Atuou como pesquisador na FEE– Fundação de Economia e Estatística do Estado do RS e no Colégio Estadual Paula Soares ministrando aulas de Sociologia.

 
Vladimir é jornalista, professor, escritor, poeta, cronista, contista, romancista, autor de 17 títulos publicados desde 1981, sendo o mais recente o livro de contos, crônicas, poemas e ensaios Barulho do Mar, lançado em 2017 na Feira do Livro de Porto Alegre. Entre seus mais importantes livros estão Só Poesia, uma antologia poética de Wlady, publicada em 2009; Outras Vidas, uma seleção de 23 contos, lançado na Bienal Internacional do livro em São Paulo em 2010; e Cuba Hoje, um ensaio sociológico sobre a realidade da ilha socialista, escrito em 2015 e 2016 quando o autor morou em Havana e pesquisou sobre a maior ilha do Caribe. Também se destacam na sua bibliografia os livros Lisboa Visitada, Barulho do Ócio, Manhãs de Sábado e Adeus Sul. Também participa de entidades literárias como a Casa do Poeta Riograndense, Partenon Literário, Academia de Letras do Brasil e Associação Gaúcha de Escritores Independentes, onde publicou vários textos nas diversas coletâneas destas entidades.

O autor apresenta uma linguagem moderna e reflete sobre a existência em seus textos.
Seus textos são episódios do cotidiano que retratam seu tempo, questionam as atitudes e comportamentos dos humanos de todas as épocas, principalmente a sociedade contemporânea, sempre retratando com imagens descritas os cenários dos acontecimentos onde orbitam seus personagens.

No momento o autor está organizando uma coletânea intitulada Meus Melhores Contos, reunindo textos de seus livros anteriores e alguns contos inéditos. A intenção é fazer o lançamento na próxima Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro de 2021. Também escreve um novo livro de sociologia que terá como título Brasil Hoje e um novo romance em fase final intitulado Barulho do Beijo, que fecha a trilogia do barulho (Barulho do Ócio, Barulho do Mar e Barulho do Beijo). Seus 17 livros estão com edições impressas esgotadas, porém podem ser encontrados exemplares em livrarias virtuais na internet e na Amazon.com

Seus poemas também são publicados na coluna Almanaque Gaúcho, no jornal Zero Hora, esporadicamente.

Leia agora alguns poemas do escritor Vladimir Cunha Santos:

 

DISTOPIA 

Somos nada
e achamos que
somos tudo.
Vivemos sonhando
com paraísos
e habitamos
num mundo absurdo.

Nossa utopia
é fugaz e passageira
diante do temporal de incertezas.

Os fatos históricos de hoje

repetem a eterna melancolia
dos dias etéreos de ontem.

Somos pretérito
imperfeito
no meio da multidão,
embriagados
de ilusão.

 

EXISTIR

Morar, morar

em qualquer lugar.

Viver, viver

pra não morrer.

Comer, beber

com qualquer sabor.

Ah!

inventaram o amor!

 

ESCRAVIDÃO

Meninos e meninas

-escravos dos pais-

Bons jovens

-escravos dos mandamentos-

Bons esposos e esposas

-escravos dos sacramentos-

Bons funcionários

-escravos da burocracia-

Rotina, rotina

escraviza o dia a dia,

Apóstolos de todas religiões

escravizam multidões,

Escravos dos vícios e desejos

somos todos escravos de algo ou de alguém

Humanos libertários também

são escravos da liberdade

paradoxalmente livres reféns.

 

QUESTÕES

 

O que realmente queremos?

a felicidade

ou a estabilidade?

O que realmente importa?

uma vida reta

ou uma vida torta?

uma vida viva

ou uma vida morta?

 

REALIDADE

O tempo passa

nossos ídolos morrem

nossas pessoas comuns

são sepultadas

e tudo parece

natural.

Humanos

aceitamos os ciclos:

o princípio

e o precipício.

Humanos

vemos passar tudo

até nosso inevitável fim,

sem chegarmos

a estrela alguma.

           

              O POVO                    

O Povo da floresta

protesta!

O Povo do serrado

desesperado

reza!

O Povo urbano

cosmopolita

mundano

só vê a vida passar

ano a ano.

O Povo Brasileiro

inteiro

joga todas as esperanças

e desesperanças

nas urnas

e sonha

com fortunas.

 

REFLEXÕES DE UM SÁBADO SÓ

Nem tudo que parece

ser amor, é amor.

Penso que sei

mas nada sei, de amor.

Paixões desvairadas

desejos incontidos

são fragmentos

da loucura cotidiana.

O sorriso, o perfume

e o andar das mulheres

envenenam os pensamentos

dos homens e podem implodir a rotina

destas cidadezinhas ou metrópoles.

Não pensamos em amar

e verdadeiramente encontrar

e compreender o ser amado.

Somos exilados

das incertezas.

 

                  AMAR                  

Amar é vital

para o ser humano.

É como a água, o ar,

o sono, o alimento...

a sombra... o sol...

Os revolucionários

os céticos

os radicais

os ateus

também amam

e se derretem de amor

por uma mulher amada,

pois quem não acredita

no amor

é porque não foi

devidamente

amado.

 

DISPLICÊNCIA

 

Tudo que penso é momento

momento de divagação

tudo que sinto é tormento

tormento da percepção.

 

Mundo... complexo abstrato

Vida... absurdo evolutivo

Morte... lucidez inconsciente

Amor... sexo iludido.

 

Tudo que penso é presente

Futuro é imaginação incerta

Passado é retornar o momento ausente.

 

Tudo que sinto e contemplo

Tudo que paira na mente...

Mero acaso displicente.

 

ALGUNS CONTOS DESTES 40 ANOS DE LITERATURA:

 

PESCANDO O TEMPO

Publicado no livro Manhãs de Sábado, 2012, ISBN 978-85-7727-450-5

Manhã de sábado e os carros já estavam estacionados na beira da barragem. O alemão dizia barage, e soltava suas linhas num canto da barragem. Tadeu liderava com seu bote, Iraí comandava a cozinha no acampamento improvisado com barracas de lonas. Depois das redes e linhas colocadas, entre barulho das panelas e espetos, ouvia-se os blefes e risadas do jogo de truco. Por vezes uma linha corria perto e eles tiravam o peixe, geralmente traíra de 2 a 4 quilos. Limpavam e guardavam na caixa de isopor com gelo. As cervejas não paravam de rodar nos copos furados. O dia todo. Depois sesteavam. Depois jogavam. Conversavam sobre muitas e poucas coisas. Às vezes uma visita de um vivente passante. Chimarrão, churrasco, linguiça, galeto, café passado no pano e na cambona, no fogo de chão, com borra. Pão dágua assado com alho e cebola. Cachaça pura, caipirinha, vinho de garrafão, uísque, conhaque, mas a cerveja era a líder de preferência.

No decorrer do dia novos pescadores chegavam. Darly trazia sua gaita de boca e fazia concertos na madrugada sem espantar os peixes; dizia até que sua harmônica encantava os peixes que vinham cair nas redes. Todos riam desta história que virava lenda aos poucos. E pela manhã retirava-se o complexo sistema de redes, espinhais e linhas. Enchiam o bote de traíras, limpavam, encaixotavam e comiam filés de peixe frito ou com molho e batata.

Domingo retornavam no fim da tarde para a cidade, para a rotina semanal de trabalho e cenas de família. O tempo não para nem mesmo nos fins de semanas hoje lembrados. Caminhamos rumo ao nada, lentamente, com nossas lembranças.

 

LEMBRANÇAS DE HONÓRIO

Publicado no livro Manhãs de Sábado, 2012, ISBN 978-85-7727-450-5

O velho Honório, tossindo muito, arrastou seus pés pelo pátio de chão batido. Foi até a beira das laranjeiras e apanhou algumas que estavam quase caindo de maduras. Pegou uma faca feita de tesoura de esquila comprada no Uruguai, e começou a descascar. Enquanto comia as laranjas do céu, as imagens de um passado não tão distante lhe cruzavam pela mente. Estava cansado, judiado pelo tempo, tossindo muito, com pulmão fraco e pouca vontade de fazer as coisas. Os amigos apareciam de vez enquanto, amarravam o cavalo, faziam uma prosa cevando mate quente, às vezes ficavam para um carreteiro com feijão, mandioca e quibebe, poucas vezes ficavam para o pouso.

          Honório lembrava das guerras da pampa, das revoluções contra os chimangos, desde o fim do século 19, em 1893, quando era ainda um jovem mas viu contar as histórias de degolas nas coxilhas do Rio Grande. Naquela vez os republicanos liderados por Júlio de Castilhos tomaram conta do Estado. Foi um banho de sangue. Depois veio a ditadura positivista do herdeiro de Júlio, seu parceiro Borges de Medeiros. De tantas falcatruas cometidas nas eleições os governantes do lenço branco causaram a revolta nos oposicionistas de lenço vermelho. Outra revolução. Brigas de irmãos contra irmãos. Matanças, degolas, homens, mulheres e crianças desesperadas. Invasões de cidades, prisões arbitrárias, um caos na pampa gaúcha, e lá no meio estava o velho Honório, o chamado tropeiro da liberdade que passou a vida toda levando gado para os frigoríficos de todas as bandas, o intitulado guerreiro Leão do Caverá, general das tropas rebeldes da fronteira. Ele e seus comandados, subindo e descendo a serra do Caverá, entre Rosário, Alegrete, Livramento, Quaraí, levando tropas para as coxilhas de São Gabriel, Dom Pedrito, Uruguaiana... uma região maior que a Palestina, em guerra civil, em 1923, época da modernidade, os comunistas chegando no Brasil... Honório procurado para se juntar aos comunistas, mas o velho disse não a Luís Carlos Prestes e seguiu sua crença nas ideias de  Assis Brasil. Nestes meses combateu a ditadura de Borges e foi preso por Flores da Cunha e levado para Porto Alegre de trem onde ficou preso numa ilha do Guaíba até fugir um dia e voltar para sua liberdade na fronteira.

          Lembrava das tantas mulheres que teve e perdeu, dos tantos filhos que criou e viu morrer, lembrava das reuniões com fazendeiros e chefes militares, das correrias e tiros no meio do campo de batalha, das trincheiras em cercas de pedras, dos companheiros e inimigos morrendo com seus cavalos, sangrando, manchando de sangue o verde dos campos sulinos.

          Uma vez o seu ajudante chegou à beira da fogueira onde o general Honório tomava um mate enquanto pensava em uma estratégia para o avanço de suas tropas e falou ao líder maragato:

          - General Honório, os nossos homens estão reunidos, escolhendo quem vão degolar esta noite no acampamento. Têm muitos prisioneiros.

          Honório levantou-se apressado, com os olhos saltando da face, com o bigode em pé, e dirigiu-se até o grupo de soldados reunido ao pé de outra fogueira. E falou em alta voz.

          - Sob meu comando não haverá nenhuma degola! Todos que estão presos serão entregues ao intendente do nosso lado que está esperando com cadeia para estes desgraçados. E já disse. Falei, tá falado. Não admito ser contrariado!

          Os homens dispersaram e foram montar suas rondas. A noite era fria e a lua estava cheia.

          Honório voltava às suas recordações, descascava outra laranja e assistia as galinhas e cachorros que corriam pelo pátio. As tosses aumentavam. A fraqueza lhe colocou na cama novamente. Seria a última. Era 1930. Getúlio Vargas preparava uma revolução a nível nacional, iria tomar o país das mãos dos paulistas. Contava com apoio dos mineiros e dos paraíbas. Convidou o velho Honório Lemes para chefiar uma divisão de revolucionários e embarcar num trem rumo ao Rio de Janeiro. O velho doente agradeceu. Estava no fim. Morreu antes da entrada triunfal de Getúlio e os revolucionários de 30 que tomaram o poder da nação.

          Milhares de pessoas de toda a região foram dar o adeus ao guerreiro Honório que foi enterrado em Rosário. Sua memória foi estampada em livros, jornais e seu nome lembrado em ruas, escolas e centros de tradições gaúchas. Uma lenda do pampa gaúcho. Um homem convicto da liberdade, sem conhecimentos teóricos da política, mas que deixou uma célebre frase que até hoje merece reflexão: “Queremos leis que governem homens, e não homens que governem leis!”

 

REALIDADE

Publicado no livro Barulho do Ócio, 2011, ISBN 978-85-7727-359-1

               Foi tudo muito rápido, porém com muita dor. Apenas dois minutos. Os irmãos Bill e Li jantavam num barraco na Vila Mixuruca com a mãe e a irmã quando ouviram batidas na porta de madeira. A mãe foi atender, Bill colocou a mão no revólver e Li ficou com os olhos arregalados quando cinco homens invadiram a casa dando gritos e agarrando os dois irmãos. Foram arrastados para fora do casebre pelos cabelos e braços e pernas. O revólver de Bill foi parar nas mãos de um dos invasores. As mulheres gritavam por socorro, mas os vizinhos ficaram quietos, apenas ouvindo a gritaria, com medo, não queriam se meter, não queriam morrer também, pois chegara a hora dos filhos de Dona Maria.

            A irmã chorava e prometia se prostituir para pagar as contas dos irmãos. A mãe implorava pelos filhos e dizia “não matem, moços, meus filhos, eu vou pagar tudo que eles devem a vocês, eu juro, eu faço faxina todos os dias e trago dinheiro pra vocês...”

            Não houve clemência; os irmãos foram jogados no chão embarrado e começaram os tiros. Dez tiros. Cinco balas para cada um. Furos e sangue nas cabeças, nos ombros, nos peitos, nas pernas, nos testículos... nos corações. Os irmãos ficaram dilacerados. Os homens correram até suas motos estacionadas num campinho próximo da vila. Sumiram. “Estes não vão calotear mais ninguém”, gritaram. Os vizinhos só saíram de seus casebres quando apenas o choro da mãe e da irmã fazia eco. Elas deitadas sobre os corpos ensanguentados, inconsoláveis. Um vizinho ligou chamando a polícia que chegou uma hora depois e recolheu os corpos com o carro do necrotério. No chão ficou uma poça de sangue. Sangue de quem estava devendo para os traficantes de crack, para os vendedores de cocaína. Os irmãos tinham uma sociedade e revendiam no centro da cidade as drogas que tanto mal fazem para outras gentes doentes. Os irmãos tinham passagens pela polícia. Haviam até matado. Foi acerto de contas, mais uma vingança, execução na Vila Mixuruca.

Quando acordei para tomar meu café, assisti a matéria no telejornal da manhã. Eles tinham apenas vinte e poucos anos. 

 

ANÔNIMO

Publicado no livro Outras Vidas, 2010, ISBN 978-85-7727-246-4

Fernando descia a rua agitada, congestionada de gente que ia e vinha, levando e trazendo suas aflições e angústias, pessoas sérias, pessoas sorridentes, o tempo todo falando nos telefones celulares, sem perceberem os caminhos, seguindo, automaticamente, desviando-se uns dos outros, atrás de algo já programado, a rotina louca da cidade grande na retina de Fernando, caminhando, observando...

          “Compro ouro! Compro ouro!” gritava um velho de gravata e de casaco surrado.

          “Empréstimo fácil, sem consulta ao Serasa e SPC! desconto em folha de pagamento e outras opções de crédito, vamos pegar, minha gente...” gritava uma mulher distribuindo panfletos.

          “Aparelhos dentários, consultas sem compromissos, arrume seus dentes com a gente”... convidava uma jovem sorridente.

          E Fernando ali, caminhando, pensando intensamente no dia de amanhã, nas contas a pagar, no que fazer com os filhos crescendo e precisando trabalhar, precisando de renda e ocupação, essa era sua preocupação momentânea enquanto descia a rua da praia, ia dar lá na beira do lago, do braço de mar, de ilhas e ilhas... Fernando era mais uma ilha naquele universo, naquela rua, naquela multidão de anônimos caminhando, com olhos abertos mas fechados, ouvindo o som da cidade, os gritos dos vendedores, os rumores dos carros e ônibus... “Compro ouro” , “Empréstimo fácil”... Fernando não tinha ouro e nem crédito, Fernando só tinha o olhar distante e o caminhar, nem emprego tinha mais, nem aposentadoria... sobrevivia das faxinas da esposa... Não sabia se queria viver mais...

          Sentou e chorou na beira do cais.